Coopervitae

Reportagem sobre Comércio Justo

por Editor

Comércio Justo cresce 37% ao ano e ajuda pequenos empresários a conquistar o mercado externo

Anos atrás, se alguém dissesse que o consumidor estava disposto a pagar mais caro por um produto que fosse ambientalmente correto, você não acreditaria. E se o produto fosse socialmente correto? Pois mercadorias produzidas e comercializadas de forma mais ética, sem explorar comunidades rurais de países subdesenvolvidos, já são uma realidade.

No chamado Comércio Justo, paga-se mais caro pelos produtos e garante-se um preço mínimo aos pequenos produtores, de forma que eles possam manter suas atividades, concorrer com os grandes e ainda adotar práticas sustentáveis de produção. Em contrapartida, os produtores devem manter as crianças na escola, cumprir todas as leis trabalhistas e não agredir o meio ambiente, entre outras coisas.

O Comércio Justo surgiu em 1988 na Holanda para ajudar cafeicultores mexicanos a vender sua produção no exterior. O principal objetivo que norteia o Fair Trade (do inglês, comércio justo) é melhorar as condições de vida de pequenos agricultores do Hemisfério Sul, diminuindo o número de intermediários entre eles e os consumidores finais e garantindo um preço mínimo para suas mercadorias (se houver flutuações na oferta e na procura, eles podem vender por valores acima do preço mínimo, mas nunca abaixo), além do pagamento de um bônus para ser investido em infra-estrutura local.

A lógica funcionou – consumidores europeus, norte-americanos, japoneses e australianos se mostraram dispostos a pagar até 20% a mais por frutas, legumes, mel, castanhas, café, sucos, roupas, flores e bolas de futebol comercializados de forma justa – e ainda gerou um novo mercado para exportadores, importadores, varejistas e empresas processadoras que transformam estas matérias-primas em mercadorias industrializadas. Para garantir que os produtos são realmente feitos por pequenos empresários surgiram selos de certificação. Atualmente, o Comércio Justo envolve 57 países e cresce em média 37% ao ano desde 2001.

O  tamanho do Comércio Justo

  • 569 organizações de produtores estão certificadas em 57 países
  • 1,4 milhão de agricultores são beneficiados no mundo
  • 2.000 empresas têm licença para usar o selo do Comércio Justo em seus produtos
  • 100.000 supermercados oferecem produtos com o selo
  • Os produtos certificados geraram vendas de R$ 4,1 bilhões em 2006

Mercado interno

A dianteira no lançamento de produtos com o selo Fairtrade para consumo no Brasil foi tomada por uma das 17 associações de produtores rurais já certificadas no país, a Cooperativa Agropecuária dos Produtores Orgânicos de Nova Resende (Coopervitae), de Minas Gerais. Certificada no Comércio Justo em 2006, a cooperativa já vende 100% da produção de seus 130 membros para compradores nos Estados Unidos, Inglaterra, Itália e Austrália. Em 2007, foram exportadas 3.200 sacas de 60 quilos, que chegaram ao destino com a marca criada pelo grupo, Café Vitae. Em 2008, as vendas para o exterior devem dobrar e até o fim do ano os consumidores brasileiros devem encontrar nas prateleiras da redes Pão de Açúcar, Wal-Mart e Mundo Verde o primeiro produto brasileiro com certificação FLO para o mercado doméstico: o Café Vitae torrado, moído e embalado pela Coopervitae. “Este era um sonho que a gente tinha. Sem o selo Fairtrade não conseguiríamos vender direto para o consumidor final brasileiro, seria impossível concorrer com as grandes marcas”, diz o presidente da Coopervitae, Geraldo Amaro da Silva.

Histórias como as das cooperativas de Itápolis e de Nova Resende revelam aos pequenos empreendedores não apenas casos de ruralistas colocando um pé no mundo empresarial, mas também as oportunidades oferecidas pelas negociações justas. “Temos hoje sete empresas com até 50 funcionários em processo de licenciamento para uso do selo Fairtrade no Brasil. O movimento ainda está começando por aqui, mas deve chamar mais a atenção dos pequenos empreendimentos conforme mais associações de produtores se certificarem, pois uma empresa só consegue o selo se comprar matéria-prima certificada”, declara Verónica, da FLO.

Nós temos Fair Trade – Brasil deve regulamentar o Comércio Justo

A Secretaria Nacional de Economia Solidária, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, deve promulgar uma instrução normativa com parâmetros para reger o Comércio Justo no Brasil. O órgão não informou o prazo para a promulgação. ‘Os critérios são próximos aos da certificação internacional, mas o nosso foco é o mercado interno. O objetivo é impulsionar o sistema no país’, declara Haroldo Mendonça, coordenador de Comércio Justo da Secretaria Nacional de Economia Solidária. Segundo ele, o governo ainda está elaborando um outro documento para definir de que forma será feito o fomento do setor.

*Reportagem de Fernanda Tambelini publicada na revista Pequenas Empresas Grandes Negócios
Fonte: Pequenas empresas, grande negócios

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